quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Wilson R.
LUTO
Hoje, uma pausa de protesto contra o assassinato covarde do meu amigo, o Seu Mário, do Jardim Topázio. O homem religioso, diácono de sua igreja, boa praça, sempre educado, cortês, com o nome sempre na boca de uma criança sorridente a comprar seus doces, trabalhou por 45 anos no mesmo lugar, em sua mercearia. Aí me aparece um infeliz e mata o homem com um tiro no peito, apenas para roubar uns oitocentos reais e entupir a sua alma suja de drogas.
Não sei o que podemos fazer, mas sei exatamente o que nós fizemos até agora: absolutamente NADA. Só esbravejamos quando a desgraça acontece.
Nosso país está um caos. Falar da corrupção já se tornou démodé. Dizer que a educação e a arte são as ÚNICAS saídas é o óbvio ululante, mas vou dizer assim mesmo.
É preciso alimentar os que têm fome, claro, mas é preciso mais. É preciso que não se tenha medo de criar uma nação que PENSE, para que formemos cidadãos cônscios de sua posição na sociedade e dos direitos de seus irmãos. É preciso entender que os meandros políticos do Brasil são uma súcia viciada, atraída e corrompida pelo brilho do metal fácil. E é preciso compreender, sim, que a corja política é apenas um reflexo do próprio povo. Nunca melhoraremos a política de amanhã se não dermos um jeito nos jovens de hoje.
Aí vem o cidadão e diz: mas demorará vinte anos… E eu respondo: vinte anos é um prazo longo, mas chega. Um ano que prorrogamos e já são vinte e um, vinte e dois… e por aí vai.
A verdade é que a intelectualidade falhou, não admite e ainda regurgita suas mesmices já emboloradas. Recusa-se de forma doentia a perceber que seus sonhos mostraram-se AINDA MAIS podres que a realidade de outrora. Agarram-se em clichês retrógrados de “abaixo a ditadura”, “a elite* é isso, aquilo” e deixam o país na mão dos ladrões, sem sequer esboçar um murmúrio que seja de protesto. E, assim como a política é um reflexo do povo, o povo é um reflexo da política. A consequência dos roubos de verbas para educação, para saúde, para TUDO, se faz clara quando vemos o cadáver do trabalhador estirado, fruto do descaso dos que podem mudar alguma coisa: EU e você.
Hoje, o Seu Mário, amanhã, algum outro ente querido. E o remédio é simples, é a longo prazo: quem empunha uma caneta não saca uma arma para roubar; que brande o pincel não puxa a adaga a um inocente; quem está armado pelo conhecimento está protegido de tudo.
Eles falharam, nós ainda temos tempo de fazer alguma coisa.
 
Seu Mário, descanse em paz.
(*) Entenda-se por elite qualquer cidadão que tenha formado família, que tenha lutado para ter sua casa e que  trabalhe honestamente, sem roubar seu vizinho e sem usar vale-qualquer-coisa nenhum.

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Wilson R.

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